Sexta-feira, 9 de Dezembro de 2011

Descobrindo ... Mahler! (II - na continuação do post anterior)



Se o Mahler do post anterior conduzia a harmonia para inesperadas soluções arrebatadoras, este por contraste consegue ser muito mais leve (ou não fosse esta apenas a sua Quarta Sinfonia) com uma certa ironia provocativa pairando sobre a melodia principal do andamento que com aquele ligeiro cromatismo inicial na melodia e nos graves lhe confere uma saborosa elegância. 

Toda esta sinfonia é uma lição de desenvolvimento motívico. Que me desculpem os mais acérrimos de Mahler, mas aquele início do 1º andamento (para não falar de outros motivos que vão surgindo no decorrer da obra) a mim mais me lembra um Strauss digno de 1º dia do ano. Os mesmos motivos que me coçavam a cabeça mais à frente surgem com uma fúria orquestral (falo concretamente do motivo inicial das flautas com a percussão) indescritível. O mesmo Mahler do 1º andamento consegue surpreender-me com aquela nostalgia do 4º. 

No final, Mahler sempre me conseguiu convencer a conhecê-lo melhor.

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